Domingo, 1 de Janeiro de 2012

NOVIDADE - «ALCÁCER-QUIBIR - Como perder a independência sem se dar por isso» (romance) de Tarsício Lopes



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DO PREFÁCIO
(Excerto)

(…) Pessoalmente, sou um daqueles que acredita que o Portugal que D. Afonso Henriques fundou no Século XII sucumbiu em 1580, poucos anos depois da Batalha de Alcácer-Quibir. [Aliás essa pode ser que tenha sido assumida a posição de John dos Passos, um escritor do Século XX que, em Portugal Story optou por terminar a sua narrativa nessa data também.] A Batalha de Alcácer-Quibir tem extrema significância pelo facto de ser considerada em Marrocos como o nascimento de uma nação que, ainda hoje, se encontra em vias de desenvolvimento, mas que, no entanto, ainda inspira uma certa revolta na conversa dos portugueses de hoje: Para ali é Marrocos!, Não se vai para aí que é Marrocos!, expressões que revelam nojo e receio. Alcácer-Quibir foi o resultado de uma ambição desmedida e estúpida de um rei anacronicamente colocado à frente de um reino avançado para a sua maneira de encarar o mundo. Esse inglorioso D. Sebastião deveria ter sido obrigado a acabar os seus dias nas Berlengas com um par dos seus favoritos cortesãos, em vez de ter ido acabar às margens dos rios Macasão e Lecus, Larache em Marrocos.
Se acreditarmos na opinião de Alexandre Herculano na sua História da Inquisição em Portugal, o pai, D. João III, era um idiota. Quem saiu aos seus não degenerou.
O que passa por uma tragédia ou uma vergonha para uns será uma glória para outros. Por exemplo, toda a comunidade civilizada terrestre considera Fernão de Magalhães um dos maiores, senão o maior navegador do mundo, um homem cuja tenacidade, coragem e inteligência o fez cometer-se a essa empresa revolucionária de primeiro que ninguém provar que o mundo era esférico, porém, nas Filipinas, uma nação que foi baptizada depois do rei Filipe que o empregou, o palerma selvagem que o matou é que é o herói. Vá lá compreender-se isso! Mas é assim como em Alcácer-Quibir, uma hipérbole também para os dias de hoje: uma vergonha para Portugal é para Angola a independência.
Uma pergunta que eu sempre tenho é esta: Porque será que a malvada da Inglaterra pode manter umas Malvinas nos confins do mundo, um Gibraltar no coração da Espanha (desnaturada?), umas Bermudas, e os portugueses que andaram por lá primeiro tiveram que dar às de vila Diogo desde Macau a Timor, de Goa a Olinda, desde Moçambique à Guiné? A resposta será: o sindroma de Alcácer-Quibir.
Então o que se pretendeu fazer-se nesta trama jocosa, por vezes atrevida, para alguns oca? Provocar. Mostrar ao leitor a maneira incongruente e submissa como nós, portugueses, nos dias de hoje, enfrentamos o mundo como povo, batendo as palmas como diria recentemente um angolano maldoso. Também se pretendeu gozar um pouco com a nossa tradição, mas acima de tudo procurar uma resolução (?) para o nosso enigma como povo. Assim os nomes parecem familiares e são, donde virão as referências históricas? Espero que se entretenham e que não chorem o punhado de Euros que pagaram pela presente leitura que afinal ainda eram Escudos quando a comecei. (Tarsício Lopes)

Data - 1ª edição: Janeiro de 2012
Coordenação literária: Ângelo Rodrigues
Capa: José Sousa e Atelier Minerva
Formato: 21 x 14,5 cm
Páginas: 344
P.V.P.: 15 € 
  

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